quarta-feira, 13 de junho de 2012

Reflexões sobre Moacir Gadotti

       MOACIR GADOTTI                
 
        BIOGRAFIA



Moacir Gadotti é licenciado em Pedagogia (1967) e em Filosofia (1971). Fez Mestrado em Filosofia da Educação na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP, 1973), Doutorado em Ciências da Educação na Universidade de Genebra (Suíça, 1977) e Livre Docência na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP, 1986). Em 1991 prestou concurso para Professor Titular na Universidade de São Paulo. Foi professor de História e Filosofia da Educação em cursos de graduação e pós-graduação em Educação e Filosofia de diversas instituições, entre elas a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, a Universidade Estadual de Campinas e a Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Desde 1988 é professor na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo.
Foi assessor técnico da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo (1983-1984) e Chefe de gabinete da Secretaria Municipal de Educação da Prefeitura de São Paulo (1989-1990), na gestão de Paulo Freire. Atualmente é Professor Titular da Universidade de São Paulo e diretor do Instituto Paulo Freire.
Possui um grande número de publicações em que desenvolve uma proposta educacional cujos eixos são a formação crítica do educador e a construção da Escola Cidadã, numa perspectiva dialética integradora da educação e orientada pelo paradigma da planetariedade.

ALGUMAS DE SUAS OBRAS
Entre os livros publicados destacam-se:
1-A educação contra a educação (1981),
2-Pensamento pedagógico brasileiro (1987),
3-Convite à leitura de Paulo Freire (1988),
4-Escola cidadã (1992),
5-História das idéias pedagógicas (1993),
6-Pedagogia da Práxis (1995),
7-Paulo Freire: uma biobibliográfica (1996),
8-Perspectivas Atuais da Educação (2000)
9-Pedagogia da Terra (2000).
10-Um legado de esperança (2001).
                                                         DIALETICA DE MOACIR GADOTTI










A perspectiva dialética de Moacir Gadotti consiste numa tentativa de aplicar as categorias do materialismo histórico marxista à educação, tendo como pano de fundo o processo dialético proposto por Marx na crítica da economia política, ou seja, parte do pressuposto que as ideias pedagógicas passam necessariamente pelas fases da tese, antítese e síntese, num eterno e indefinido devir cíclico. E sua obra principal (A História das Ideias Pedagógicas), o autor acaba por dar como pressuposto aquilo que precisamente a sua obra deveria provar, ou seja, a premissa de que as ideias pedagógicas se sucedem de acordo com o processo dialético marxista. Nesta lógica silogística, necessariamente estaria embutida a ideia de que o processo dialético subjaz à realidade das ideias (0aliás, como pensar em um idealismo concreto sem utilizar a categoria marxista de concreto-pensado). Com isso, acaba-se por estabelecer uma dialética sem contraponto, posto que uma discussão de um único interlocutor não permite outra via que não o esgotamento da capacidade dialógica de quem discursa, posto que não é possível um diálogo entre uma única visão possível da realidade, o que precisamente este autor tenta realizar em sua obra. Deste modo, transpondo para a realidade educacional esta espécie de dialética mutilada, temos aí todo o substrato necessário para uma visão filosófica que não é nem historicista, nem política, nem tampouco crítica, mas antes se trata de uma visão reducionista, arbitrária e impositiva. Para Moacir Gadotti, a única possibilidade de educar cidadãos críticos e reflexivos é a partir do método dialético aplicado à educação. Porém como a perspectiva dialética de Gadotti se enquadra em uma perspectiva monolítica, torna-se difícil compreender de que maneira o educando viria a se apoiar e m uma filosofia dialética na medida em que o próprio método dialético esposado pelo autor acaba por não possibilitar o fundamento primeiro da educação, que seria o de, através do diálogo levar o educando a refletir criticamente sobre sua realidade e deste modo vir a realizar o que o autor chama de verdadeiro aprendizado.

Resumo do livro: História das Idéias Pedagógicas
Livro de cabeceira para educadores
O ritual estabelecido de entrar em sala de aula, com materiais debaixo do braço ou dentro de uma bolsa, depositar cadernetas em nossas mesas, fazer a chamada, instruir os alunos quanto aos temas e exercícios discutidos em aula, passar de carteira em carteira, anotar apontamentos e dúvidas na lousa ou ainda explanar e discutir assuntos pertinentes não surgiu ao acaso. A prática pedagógica é resultante de uma longa história, praticamente tão velha quanto à própria humanidade. Inicia-se provavelmente a partir das conversas e histórias contadas ao redor de fogueiras por pessoas mais experientes dentro de comunidades estabelecidas há muito tempo atrás...
Não há como referenciar esses primeiros encontros ou mesmo, de acordo com alguns especialistas, considerá-los historicamente como relevantes para a pedagogia. O que fazemos ao considerar os idos pré-históricos como primeiros momentos em que se ensejou o que podemos chamar de ensino e aprendizagem é dar relevância ao encontro entre a experiência dos mais velhos e a candura própria dos mais jovens.
A pedagogia como a concebemos, enquanto saber constituído a partir de elaborações práticas e abstratas somente se constrói a partir do surgimento da escrita e das primeiras grandes civilizações da Antiguidade. É o que percebemos a partir das lições que nos são dadas pelo professor Moacir Gadotti, doutor e livre-docente em educação, autor de diversos títulos de prestígio e repercussão na área.
Em sua obra História das Idéias Pedagógicas, Gadotti inicia as conversas acerca desse tema tão pertinente voltando à antiguidade chinesa, resgatando Lao-Tsé e o Talmude hebraico como fontes inspiradoras do pensamento pedagógico no oriente próximo e distante (Oriente Médio e China). É desse período e região, especificamente de Lao-Tsé a constatação de que “o fraco e flexível é mais forte que o forte e rígido” ou ainda “que o mundo não pode ser plasmado a força” e que, por isso, “ao sábio não interessa a força”...  A criança não pode levar uma vida normal no mundo complicado dos adultos. Todavia é evidente que o adulto, com a vigilância contínua, com as admoestações ininterruptas, com suas ordens arbitrárias, perturba e impede o desenvolvimento da criança. Dessa forma, todas as forças positivas que estão prestes a germinar são sufocadas; e a criança só conta com uma coisa: o desejo intenso de livrar-se, o mais rápido que lhe for possível, de tudo e de todos”. (Maria Montessori).
Percebemos nessas linhas apenas um pouco daquilo que podemos considerar como a mística oriental celebrada com sabedoria e simplicidade. Notamos especialmente a devoção à inteligência em contraposição à força, justamente aquilo que a pedagogia preza através de suas ações, seja naquele lado do mundo ou neste em que nos encontramos...
Dos pensadores orientais, mas ainda focando seus escritos na Antiguidade, o professor Gadotti nos transporta para a Grécia e a seus sábios filósofos Sócrates, Platão e Aristóteles. Professores e aprendizes, herdeiros de toda uma tradição cultural, mestres que legaram uns aos outros o conhecimento basilar que funda praticamente toda a nossa tradição ocidental.
De Sócrates para Platão e deste para Aristóteles. Como numa autêntica e afinada tabelinha futebolística concretizada através do tempo, a Grécia se tornou soberana no imaginário cultural e também, especificamente, no pedagógico. A maiêutica ou “arte de extrair do interlocutor, por meio de perguntas, as verdades do objeto em questão” tornaram Sócrates, nos dizeres de Gadotti, “o maior fenômeno pedagógico da história do Ocidente”.
De suas incríveis lições, não registradas por ele mesmo, surgiram os diálogos platônicos a apregoar, pelos quatro cantos do mundo, a necessidade de superação da alienação, conclamando os homens a ultrapassarem as trevas das cavernas onde estavam presos. Falava alegoricamente sobre a ignorância e a necessidade de entendermos a dicotomia entre o mundo das idéias e a realidade nua, crua e dura de cada dia de nossas vidas...

“Quando o facilitador é uma pessoa real, se apresenta tal como é, entra em relação com o aprendiz, sem ostentar certa aparência ou fachada, tem muito mais probabilidade de ser eficiente. Isso significa que os sentimentos que experimenta estão ao seu alcance, estão disponíveis ao seu conhecimento, que ele é capaz de vivê-los, de fazer deles algo de si, e, eventualmente, de comunicá-los”. (Carl Rogers)
Aristóteles, seu herdeiro legítimo, aluno dedicado prima mais pelo realismo e abastece de sentido mais prático e objetivo a ciência e a própria educação. Ao analisar os homens a partir de suas faixas etárias, conclui o sábio pensador grego que “todas as vantagens que a juventude e a velhice possuem separadamente se encontram reunidas na idade adulta”, já que “onde os jovens e os velhos pecam por excesso ou falta, a idade madura dá mostras de medida justa e conveniente”. Nem parece que escrevia essas linhas há tantos e tantos anos atrás...
A viagem no tempo através dessas incríveis referências pedagógicas feita no livro de Moacir Gadotti continua, discorrendo sobre a educação em Roma e no Medievo, resgatando nomes que por vezes teimamos em não nos lembrar e que são, apesar de não tão conhecidos, reconhecidamente importantes para a educação.
Foram, por exemplo, os romanos que estabeleceram através do estudo da cultura geral, por eles chamada de humanitas, práticas escolares como o ditado de fragmentos de texto, a necessidade de exercícios ortográficos, a memorização como prática educacional, a análise de frases e palavras, a construção de pensamentos estudados em diferentes formas de expressão ou ainda a composição literária.
A Idade Média, por sua vez, celebra a ascensão da Igreja Católica ao comando da cultura e da educação. De acordo com o texto do professor Gadotti, Cristo com “seus ensinamentos” que “ligavam-se essencialmente à vida” torna-se o “grande educador” e estabelecia, através dos pensadores medievais, uma pedagogia mais concreta a partir de suas parábolas. Santo Agostinho e São Tomás de Aquino concretizam essa realização pedagógica medieval em diferentes períodos e de distintas formas.
No campo de combates que se estrutura nessa fase da história, há alguns quilômetros de distância, separados pelo Mar Mediterrâneo, os árabes também consolidam sua história e educação. Há um pequeno espaço dedicado a eles no texto de Gadotti, ressaltando-se a importância do trabalho de sábios mulçumanos como Ibn Sina, Al-Biruni e Averróis.

“Chegará o dia – e talvez este já seja uma realidade – em que as crianças aprenderão muito mais e com maior rapidez em contato com o mundo exterior do que no recinto da escola. ‘Porque retornar à escola e deter minha educação?’, pergunta-se o jovem que interrompeu prematuramente seus estudos. A pergunta é arrogante, mas acerta no alvo: o meio urbano poderoso explode de energia e de uma massa de informações diversas, insistentes, irreversíveis...” (Herbert McLuhan)
Nos períodos que se seguem abre-se espaço para a produção cultural e educacional européia do Renascimento e do Iluminismo. São períodos vivificados pela presença de grandes expoentes das artes, literatura, filosofia e ciência. De suas obras resplandecem não apenas temáticas específicas como se poderia a princípio pensar, se nos pautamos nos nossos próprios exemplos dos séculos XX e XXI, tão centrados e especializados.
A modernidade consolida a lógica através de pensadores como Montaigne, Spinoza ou Descartes. A objetividade transcende também a partir das reformas religiosas evocadas pela contestação aos rigores do catolicismo e dão espaço para o avanço do luteranismo. No combate a essas tendências renovadoras da religião, a Igreja Católica funda a Companhia de Jesus que, por sua vez, institucionaliza a Ratio Studiorum, método e base filosófica que influirá de forma contundente a educação no Novo Mundo, inclusive em terras brasileiras.
Esse delicioso passeio pelo pensamento pedagógico deixa para o final, seguindo a cronologia, as mais contundentes e valiosas contribuições específicas para a pedagogia ao apresentar excertos e biografias de pensadores do mundo contemporâneo. Começando com a clássica colaboração de Rousseau e sua obra devotada a educação, “O Emílio”, passando pelos expoentes do pensamento positivista como Durkheim, recordando os sábios socialistas da educação como Gramsci e chegando ao século XX e suas várias correntes de pensamento pedagógico.
“Não basta saber ler mecanicamente que ‘Eva viu a uva’. É necessário compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir uvas e quem lucra com esse trabalho. Os defensores da neutralidade da alfabetização não mentem quando dizem que a clarificação da realidade simultaneamente com a educação é um ato político. Falseiam, porém, quando negam o mesmo caráter político à ocultação que fazem da realidade”. (Paulo Freire)
O século XX merece especial destaque na obra História das Idéias Pedagógicas justamente por abrigar o maior contingente de referências que possuímos. Jean Piaget, John Dewey, Lev Vygotsky, Celestin Freinet, Carl Rogers, Maria Montessori, Emília Ferreiro, Herbert McLuhan e outros estudiosos da educação ganham destaque e relevância ao lado dos educadores brasileiros que através de seus estudos e trabalhos permitiram a evolução do pensamento pedagógico brasileiro, casos de Fernando Azevedo, Anísio Teixeira, Paulo Freire, Demerval Saviani ou Rubem Alves.
Obra de grande importância e necessidade para quem pretende entender um pouco melhor a educação e seus processos, História das Idéias Pedagógicas introduz e esclarece seus leitores e deve tornar-se livro de cabeceira para muitos estudiosos que necessitam conhecer esse fabuloso universo da educação.


Linhas de Pensamento 

"O diálogo se dá entre iguais e diferentes,nunca entre antagônicos".


"Educar é fazer com que os jovens dialoguem com o conhecimento".


"A escola deve seduzi-lo para o conhecimento".

"A única possibilidade de educar cidadãos críticos e reflexivos é a partir do método dialético aplicado à educação".
"A escola precisa ser reencantada, encontrar motivos para que o aluno vá para os bancos escolares com satisfação, alegria. Existem escolas esperançosas, com gente animada, mas existe um mal-estar geral na maioria delas. Não acredito que isso seja trágico. Essa insatisfação deve ser aproveitada para se dar um salto. Se o mal-estar for trabalhado, ele permite um avanço. “Se for aceito como uma fatalidade, ele torna a escola um peso morto na história, que arrasta as pessoas e as impede de sonhar, pensar e criar”."
                                                                                                


 
Referências
Fonte: http://pt.shvoong.com/humanities/483211-dial%C3%A9tica-em-moacir-gadotti/#ixzz1sgeIIIcP


Membros: Aldeane Alves dos Santos
                  Ednalva Dantas de Oliveira Araujo

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